domingo, 7 de junho de 2015

Geral - Médicos da rede conveniada à Prefeitura sem pagamento Folha da Manhã Online

Geral - Médicos da rede conveniada à Prefeitura sem pagamento Folha da Manhã Online

Médicos da rede conveniada à Prefeitura sem pagamento

Devido ao atraso nos repasses hospitalares, médicos da rede conveniada à Prefeitura estão com o pagamento atrasado há cinco meses. Nesta semana, parte dos profissionais recebeu os salários referentes à produção de novembro do ano passado. Em outras unidades, o pagamento é referente ao mês de dezembro. Diante do descaso, o Sindicato dos Médicos de Campos (Simec) vem a público denunciar o colapso do sistema de Saúde do município.
Como suporte a esta estrutura, a cidade possui uma rede conveniada com Sistema Único de Saúde (SUS) de quatro hospitais gerais que integram o sistema de atendimento à população, não só de Campos, mas de toda a região. A parcela de cidadãos que depende do sistema público para o tratamento de alguma patologia não é pequena: cerca de 85%.
O presidente do Simec, José Roberto Crespo, afirma que o município possui sua rede própria de assistência, cujos problemas são mais que conhecidos: rede básica ineficaz, postos 24 horas sem as estruturas físicas e técnica para dar cabo às demandas da população. Muitos pacientes não fazem, sequer, os exames mínimos de urgência: ECG, RX e exames laboratoriais. Com isso, a maioria dos casos é encaminhada ao Hospital Ferreira Machado e Hospital Geral de Guarus, criando a sobrecarga ao atendimento nestes hospitais, além de descaracterizar os casos que deveriam ser realmente atendidos nestas unidades hospitalares.
“Estamos acompanhando há vários anos o descompromisso da gestão pública com a população. Embora afirme que o município aplica quase 40% do seu orçamento em Saúde, este investimento não se transforma em um atendimento digno ao usuário. Além da tabela de honorários do Ministério da Saúde estar completamente defasada, há cerca de 15 anos sem reajuste, há um pacto perverso entre a municipalidade e a rede conveniada, onde o médico fica sempre em último plano, com uma lógica que não conseguimos entender. Paga-se aos diretores, fornecedores, insumos, água, luz, funcionários, etc. E o médico, que produz o recurso para pagar a todos eles não é lembrado, fica sempre para depois”, denunciou o presidente do Sindicato.
Para concluir, Crespo destacou que a contratualização com a rede conveniada não avança, os pacientes estão sem acesso a consultas e exames, o médico está desistindo de trabalhar por prestação de serviços e houve o retorno das extintas filas nas portas dos hospitais para marcação de consultas, situação que não se via há anos.
“È vergonhoso e humilhante ver isso vários dias em todos os nossos hospitais. Não dá para o médico ficar refém dessa engrenagem. É preciso voltar a pagar diretamente aos médicos os seus honorários, separando o que é serviço médico de serviços hospitalares, como sempre foi feito pelo Ministério da Saúde”, avaliou José Roberto.
Ele ainda apresentou a solução para que volte a haver regularização no pagamento: a criação de um calendário mensal de repasse dos serviços prestados pelos hospitais, com transparência e divulgação nos órgãos de imprensa. “Com isso todos os interessados poderão cobrar os seus recursos”, finalizou o presidente do Simec.

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